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Diretriz AHA/ASA 2026: Manejo Precoce do AVC Isquêmico Agudo

ESCRITO POR TEAM FULL EMERGENCY

A Diretriz 2026 da American Heart Association (AHA) e da American Stroke Association (ASA) atualiza o manejo precoce do AVC isquêmico agudo, reforçando que se trata de uma condição altamente tempo-dependente. O documento destaca que organização do sistema de cuidado e rápida implementação de terapias de reperfusão são determinantes de sobrevida e desfecho funcional, com integração entre pré-hospitalar, emergência, imagem, neurologia e terapia endovascular.

Conscientização populacional e reconhecimento precoce

Campanhas de conscientização são apontadas como essenciais para reduzir o tempo entre o início dos sintomas e o primeiro contato médico. A diretriz ressalta a importância de:

  • Reconhecer sinais de AVC precocemente.

  • Identificar, ainda no pré-hospitalar, suspeita de oclusão de grande vaso (potencial elegibilidade para trombectomia).

Atendimento pré-hospitalar

Os serviços de emergência devem:

  • Utilizar escalas de reconhecimento de AVC de forma sistemática.

  • Realizar pré-notificação ao hospital.

  • Seguir métricas de qualidade assistencial.

Destino hospitalar e oclusão de grande vaso

Quando houver suspeita de oclusão proximal, recomenda-se encaminhamento preferencial a centros com capacidade de trombectomia, desde que isso não gere atrasos excessivos ou risco clínico adicional.

Unidades móveis de AVC e Telestroke

Unidades móveis de AVC

Podem reduzir o tempo até trombólise intravenosa, mas a implementação deve ser criteriosa, limitada a cenários com viabilidade logística e custo-efetividade.

Telestroke

É consolidada como padrão de cuidado, com recomendação forte e alto nível de evidência, ampliando acesso à trombólise em hospitais sem neurologista presencial e reduzindo desigualdades regionais.

Avaliação na emergência e estratificação neurológica

Na chegada ao departamento de emergência, a avaliação deve ser rápida, estruturada e sistemática (história clínica, exame físico geral e neurológico).

NIHSS como ferramenta central

A diretriz reforça o uso rotineiro da NIHSS para:

  • Quantificar gravidade do déficit.

  • Apoiar seleção terapêutica.

  • Estimar prognóstico (um dos principais preditores de mortalidade e desfecho funcional).

Exames laboratoriais e princípio do “não atraso terapêutico”

A diretriz estabelece que:

  • Glicemia capilar é o único exame obrigatório antes da trombólise IV.

  • Outros exames não devem atrasar a administração do trombolítico, salvo suspeitas clínicas específicas (ex.: uso de anticoagulantes, distúrbios hemorrágicos).

Neuroimagem na fase hiperaguda

Tomografia de crânio sem contraste

É obrigatória e deve ser imediata para excluir hemorragia intracraniana.

Angiotomografia e perfusão

  • Angiotomografia: recomendada quando houver suspeita de oclusão de grande vaso.

  • Perfusão cerebral: útil para seleção em janela estendida.

Ponto-chave: imagem avançada não deve atrasar trombólise intravenosa quando indicada.

Manejo clínico inicial (suporte fisiológico)

Oxigenação, via aérea e ventilação

  • Oxigênio suplementar apenas se saturação < 94%.

  • Proteção de via aérea/intubação: reservada a rebaixamento de consciência ou falência respiratória.

Controle da pressão arterial

  • Sem trombólise: tratar apenas se PA ≥ 220/120 mmHg.

  • Candidato à trombólise: reduzir para < 185/110 mmHg antes e manter < 180/105 mmHg após.

Controle metabólico e temperatura

  • Glicemia: evitar hipo/hiperglicemia (meta 140–180 mg/dL).

  • Febre: tratar de forma agressiva.

  • Hipotermia terapêutica: não recomendada rotineiramente.

Terapias de reperfusão

Trombólise intravenosa

Indicada até 4,5 horas em pacientes elegíveis.

  • Alteplase: agente padrão-ouro.

  • Tenecteplase: alternativa aceitável em cenários selecionados, especialmente quando trombectomia mecânica estiver planejada (bolus único), sem substituir universalmente a alteplase.

Trombectomia mecânica

Fortemente recomendada em:

  • Janela clássica: até 6 horas.

  • Janela estendida: 6 a 24 horas, com critérios de imagem apropriados.

Pode ser realizada em pacientes com ou sem trombólise IV. Pacientes com NIHSS mais baixo podem ser considerados se apresentarem déficits claramente incapacitantes.

Populações e cenários especiais

Circulação posterior (ex.: artéria basilar)

Há evidência crescente em favor da trombectomia, com decisão individualizada (gravidade, tempo, imagem e experiência do centro).

Pediatria

Trombólise e trombectomia podem ser consideradas em centros especializados, apesar de evidência limitada, reforçando a necessidade de suspeição precoce e protocolos específicos.

Antiagregação, anticoagulação e neuroproteção

  • Antiagregação (ex.: AAS): após excluir hemorragia; aguardar 24h em pacientes trombolisados.

  • Anticoagulação: não indicada na fase hiperaguda; iniciar posteriormente conforme etiologia.

  • Neuroproteção: diretriz reafirma ausência de benefício clínico comprovado.

Cuidados intra-hospitalares e prevenção de complicações

Stroke units

Recomendadas por reduzirem mortalidade, dependência funcional e tempo de internação.

Disfagia e suporte clínico

  • Triagem de disfagia antes de liberar dieta oral (reduz pneumonia aspirativa).

  • Avaliação nutricional precoce, suporte enteral quando necessário e profilaxia de TEV fazem parte do cuidado padrão.

AVC isquêmico pediátrico

A diretriz enfatiza que o maior desafio é o subdiagnóstico; protocolos específicos ajudam a reduzir atrasos e ampliar acesso oportuno às terapias em centros especializados.

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